Um novo paradoxo da Obesidade?

Seria um novo paradoxo da Obesidade? Pessoas com obesidade grave teriam mais chances de se recuperar de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico, nos três meses que se seguem ao evento, do que pessoas de peso normal embora a obesidade seja um dos principais fatores desencadeadores de Doenças Cardiovasculares, com maior propensão ao AVC. E o índice foi significativo: 62% menos probabilidade. Já o que estavam abaixo do peso apresentaram 67% mais chances de morrer nos três primeiros meses após o AVC. Os autores admitem que são necessários mais estudos para aprofundar os fatores relacionados. Algumas possibilidades levantadas: essas pessoas teriam mais energia para passar pelo processo de reabilitação; pessoas com baixo peso teriam passado por um tipo de AVC isquêmico mais grave que os com obesidade grave; essas pessoas de baixo peso teriam outros fatores de debilidade da saúde não identificados na avaliação.

Realizado por pesquisadores da Universidade da Califórnia, apresentado no encontro anual da American Academy of Neurology, acompanhou 1.033 pessoas, com idade média de 71 anos, que tiveram um acidente vascular cerebral isquêmico, quando o fluxo sanguíneo para uma parte do cérebro é bloqueado. São pacientes  de um estudo maior, chamado estudo FAST-MAG, originalmente planejado para testar a eficácia do magnésio administrado a pacientes com AVC por socorristas.

O índice de massa corporal, ou IMC, foi calculado para todos os participantes do estudo e, em média, foi de 27,5. Excesso de peso é caracterizado por IMC de 25 a 29. Mais de 30 já caracteriza obesidade.

Nos três meses após um AVC isquêmico, pacientes gravemente obesos tinham 62% menos probabilidade de morrer do que os de peso normal; os pacientes que eram obesos tinham uma probabilidade 46% menor de morrer e aqueles que estavam acima do peso tinham 15% menos probabilidade de morrer. As pessoas que estavam abaixo do peso tinham 67% mais chance de morrer do que as que tinham peso normal.

 

 

Um olhar mais humanizado sobre a Obesidade

É comum os pacientes viverem em um luta árdua e constante com a balança. Sem um olhar mais atento sobre a sua doença, não conseguem sair do ciclo de emagrecer e engordar. Estudos mostram que 80% das pessoas que perdem peso não conseguem manter a perda de peso em médio e longo prazo. Isso acontece porque abandonam o tratamento, ou recorrem a tratamentos milagrosos de curto espaço de tempo, o que vai ter impacto mais tarde. Afinal, obesidade é doença crônica, ou seja, aquela que você vai conviver por toda a vida, e que precisa de tratamento contínuo, como diabetes, hipertensão arterial, colesterol, entre outras. E é uma doença que predispõe a um tanto de outras doenças, como diabetes (80% das pessoas que vão desenvolver diabetes tipo 2 tem obesidade), câncer (sendo um dos principais fatores de desencadeamento), doenças cardiovasculares, doenças metabólicas e até das articulações.

O preparado dos profissionais de saúde no atendimento ao pacientes com obesidade precisa ser trabalhado. Uma pesquisa recente mostrou que os médicos ao atenderem pacientes com obesidade tendem a olhar menos para esse paciente, pedir menos exames (quando na verdade deveria ser o contrário), e serem menos empáticos com esse paciente. Ainda acaba prevalecendo, mesmo no meio médico, a ideia de que a obesidade é uma escolha, e não uma doença, e que este paciente seria uma causa perdida.

Aqui, neste espaço, queremos destacar histórias de atendimento mal sucedidos e bem sucedidos, a o que fez a diferença nesse olhar mais humanizado sobre essa doença ainda tão incompreendida: obesidade. Afinal, Obesidade Não é Escolha!

DEPOIMENTO:

Tenho 39 anos, sou casada, e não tenho filhos. Atuo como tabeliã substituta e me tornei digital influencer da minha cidade, no interior de Minas Gerais. Luto a vida toda contra a obesidade. Há exatamente um ano e sete meses iniciei meu tratamento, com uma excelente endocrinologista, e tem refletido positivamente na minha vida, com sucesso. 

Quando cheguei a sua clínica, em outubro de 2016, estava com peso inicial 153,2 kg e decidi fazer o tratamento com dieta e medicamentos associados. O sucesso do tratamento tem muita relação com a forma como encarei a Obesidade, a partir daquele instante, quando passei a ver com mais naturalidade, e assumi que obesidade é doença. Hoje, com a ajuda do tratamento e da minha super endocrinologista, e do esforço conjunto consegui eliminar 70 kg e estou super feliz ! Minha altura é 1,72  m e hoje meu peso é 83 kg!

*A identidade foi mantida em sigilo. Mande sua história para: obesidade@obesidadenaoeescolha.com.br